Um mês de tarifaço, petróleo disparando e Fed dividido, mas que fechou
surpreendentemente bem para o Brasil.
Estados Unidos
O Fed manteve os juros parados numa decisão dividida, 9 votos a 3, na
reunião de 30 de julho. O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, trocou o
discurso mais cauteloso do antecessor por um tom bem mais duro.
O petróleo disparou quase 23% no mês, a maior alta mensal desde março,
depois que o conflito entre Irã e EUA no Estreito de Ormuz voltou a esquentar.
O S&P 500 fechou julho bem próximo da estabilidade, sem direção clara, em
meio a uma temporada de balanços de tecnologia volátil.
Brasil
Os Estados Unidos aplicaram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
como açúcar, aço e máquinas agrícolas, e dias depois somaram mais 12,5%
de sobretaxa. Mesmo assim, o Ibovespa subiu cerca de 3,5% no mês,
encostando nos 178 mil pontos e encerrando quatro meses seguidos de
queda.
O Banco Central manteve a Selic em 14,25% ao ano. A próxima reunião do
Copom acontece nos dias 4 e 5 de agosto, com resultado divulgado no dia 5,
e o mercado já começa a apostar num corte.
O IPCA-15 de julho veio baixo, 0,06%, mas o acumulado em 12 meses segue
acima do teto da meta, em 4,64%. O dólar caiu cerca de 1,8% no mês,
fechando perto de R$ 5,08.
Para ir mais fundo:
Julho começou com o acordo entre EUA e Irã já mostrando rachaduras. Nos
primeiros dias do mês, o Irã atacou navios no Estreito de Ormuz, e o petróleo, que
vinha mais calmo, disparou. No fechamento do mês o Brent acumulava alta de
quase 23%, a maior desde março, um lembrete de como essa região segue sendo
o ponto mais sensível para os preços de energia no mundo todo.
Nos Estados Unidos, quem chamou atenção foi o novo presidente do Fed, Kevin
Warsh. Ele adotou um tom bem mais duro que o antecessor e cortou o forward
guidance tradicional, que é basicamente o sinal que o banco central costuma dar
sobre os próximos passos da política monetária. Sem essa sinalização, o mercado
ficou mais no escuro, e a própria decisão de juros do fim do mês saiu dividida, 9
votos a 3, mostrando que nem lá dentro existe consenso sobre quanto ainda falta
apertar.
Por aqui, o Brasil levou dois golpes comerciais dos Estados Unidos: primeiro uma
tarifa de 25% sobre produtos como açúcar, aço e máquinas agrícolas, depois uma
sobretaxa adicional de 12,5%. Era o tipo de notícia que costuma derrubar a bolsa,
mas não foi isso que aconteceu. O Ibovespa engatou uma recuperação forte e
fechou o mês em alta de cerca de 3,5%, interrompendo uma sequência de quatro
meses seguidos no vermelho.
Do lado da inflação, o sinal foi positivo: o IPCA-15 de julho veio bem fraco, 0,06%,
reforçando a aposta do mercado num corte da Selic já na reunião de agosto. Mas
o acumulado em 12 meses ainda está acima do teto da meta, então o Banco
Central segue com o pé no freio. No campo fiscal, cresceram os alertas sobre o
ritmo em que os juros da dívida pública estão subindo mais rápido que a própria
atividade econômica, tema que deve ganhar peso nos próximos meses.
No balanço final, julho fechou positivo dos dois lados, mas por razões diferentes:
aqui, a bolsa subiu apesar do tarifaço, puxada pelo fluxo estrangeiro; lá fora, o
mercado americano ficou de lado, digerindo um Fed mais cauteloso e um petróleo
em alta.
Agosto já começa com a decisão do Copom marcada para o dia 5, e boa parte do
mercado esperando o início do ciclo de corte de juros. Seguimos atentos.
Um abraço,
Renato Marcelino

Newsletter – Julho 2026
Um mês de tarifaço, petróleo disparando e Fed dividido, mas que fechousurpreendentemente bem para o Brasil. Estados UnidosO Fed manteve os juros parados numa decisão dividida, 9 votos a 3, nareunião de 30 de julho.

