Transformar um mercado leva décadas. Tudo começa quando alguém acredita que o futuro pode ser diferente do presente.
Quando iniciei minha trajetória no mercado financeiro, em meados dos anos 2000, o Brasil ainda dava os primeiros passos na sofisticação dos investimentos. Tínhamos pouco mais de uma década do Plano Real, a inflação finalmente estava sob controle e o mercado de capitais ainda era distante da realidade da maioria dos brasileiros.
Naquela época, eu sonhava com o dia em que qualquer pessoa pudesse comprar ações de empresas do Brasil e do mundo pelo computador e, futuramente, pelo celular. Hoje isso parece comum, mas, há pouco mais de vinte anos, era quase uma utopia.
Sempre acreditei que investir em empresas é uma das formas mais eficientes de gerar riqueza para a sociedade. Quando alguém compra ações, não está apenas investindo no próprio patrimônio. Está financiando empresas, incentivando inovação, geração de empregos e crescimento econômico.
Ao longo dos anos, produtos que antes eram exclusivos de poucos investidores passaram a fazer parte da vida de milhões de brasileiros. Fundos de investimento, títulos de renda fixa, debêntures, fundos imobiliários e tantos outros ativos deixaram de ser privilégios para se tornarem instrumentos acessíveis.
É fácil olhar a fotografia pronta. Difícil é acreditar no filme enquanto ele ainda está sendo gravado.
Para mim, esse desafio foi ainda maior. Vim do Sul para Sergipe sem qualquer relacionamento construído. Cheguei apenas com vontade de trabalhar, aprender e contribuir. Sempre procurei conduzir minha vida profissional acreditando que competência se conquista com estudo, mas reputação se constrói com caráter. A palavra sempre foi meu maior patrimônio.
Felizmente, Sergipe me acolheu de forma extraordinária. Encontrei pessoas empreendedoras, curiosas e dispostas a aprender. Isso reforçou uma convicção que carrego até hoje: a educação transforma realidades.
Quanto mais uma sociedade conhece sobre investimentos, crédito e planejamento financeiro, melhores tendem a ser suas decisões econômicas.
Hoje participamos da gestão de aproximadamente R$ 2 bilhões em investimentos e, em 2020, demos um passo importante ao nos associarmos a uma grande instituição financeira nacional. Mais do que fortalecer nossa empresa, esse movimento ajudou a demonstrar que Sergipe possuía um mercado maduro, capaz de atrair grandes instituições e estimular novos investimentos no estado.
Se considerarmos todas as assessorias de investimentos atuantes em Sergipe, podemos estimar que elas acompanham mais de R$ 5 bilhões pertencentes a investidores sergipanos.
Esse número representa muito mais do que patrimônio financeiro.
Imagine esses mesmos R$ 5 bilhões aplicados durante dez anos rendendo aproximadamente 10% ao ano, em comparação com uma remuneração próxima de 6,5% ao ano na poupança. A diferença acumulada ultrapassa R$ 3,5 bilhões, ou 350 milhões em 10 anos. São bilhões de reais que permanecem no patrimônio das famílias sergipanas e que podem ser destinados ao consumo, à educação dos filhos, à abertura de empresas, à compra de imóveis, à geração de empregos e a novos investimentos.
O impacto da educação financeira vai além da rentabilidade. Ela também melhora a qualidade das decisões sobre crédito, reduz o endividamento desnecessário e fortalece empresas e famílias para atravessarem momentos difíceis.
Mais recentemente, ampliamos nossa atuação ajudando empresas a acessar novas fontes de financiamento e capital de giro. Em um ambiente econômico cada vez mais complexo, aproximar empresários do mercado de capitais também significa gerar oportunidades de crescimento, preservar empregos e estimular o desenvolvimento regional.
Ao longo desses anos, talvez a maior transformação não tenha sido tecnológica. Foi cultural.
O brasileiro passou a entender que investir não é um privilégio de poucos, mas uma ferramenta de construção de patrimônio e de liberdade financeira. Sergipe acompanhou esse movimento e mostrou que também pode ser protagonista quando há conhecimento, profissionalismo e visão de longo prazo.
Ainda temos muito a construir. O processo está apenas começando.
Mas continuo acreditando na mesma ideia que me trouxe até aqui há mais de vinte anos: o maior patrimônio de uma sociedade não está apenas no seu capital financeiro, mas na sua capacidade de aprender, empreender e acreditar no futuro.
Porque, quando uma sociedade aprende a investir melhor, ela não apenas acumula riqueza. Ela constrói desenvolvimento.
Lucas Iglesias, Administrador, assessor de investimentos e é Sócio fundador do Grupo Wert.

