Você já sentiu aquele frio na barriga ao ler notícias sobre a liquidação de uma instituição bancária? Esse tipo de apreensão é muito comum, especialmente quando entramos em uma temporada prolongada de intervenções do Banco Central, como vimos nos últimos meses.
Gosto de comparar essa situação aos pais e mães de primeira viagem: diante de uma simples gripe do bebê, sem um cenário prévio para comparar, a situação logo se transforma em um evento de proporções épicas.
Assim como os pais não têm culpa do que sentem, os investidores que ainda não passaram por ciclos assim também não estão errados ao ficarem apreensivos. Mas, para acalmar os nossos “marinheiros de primeira viagem”, vamos colocar os números na balança e entender o real peso dessas instituições frente ao Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Como o Banco Central organiza o nosso sistema?
Para trazer contexto, precisamos entender como o Banco Central (BC) classifica as instituições de acordo com o seu porte e relevância. O SFN é dividido em 5 segmentos principais:
- Segmento S1: Os “bancões”. Instituições com porte igual ou superior a 10% do PIB. Aqui estão os 6 maiores bancos do país: Banco do Brasil, Bradesco, BTG, Caixa Econômica, Itaú e Santander. Eles são severamente fiscalizados.
- Segmento S2: Bancos múltiplos, bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de câmbio e caixas econômicas, de porte inferior a 10% (dez por cento) e igual ou superior a 1% (um por cento) do PIB;
- Segmento S3: Instituições com porte entre 0,1% e 1% do PIB.
- Segmentos S4 e S5: Instituições menores, com porte inferior a 0,1% do PIB.
Onde estavam os bancos liquidados?
Instituições como o Banco Master, Banco Voiter e Banco Will estavam enquadradas no Segmento S3 (ou abaixo disso). Ou seja, dentro da estrutura total do país, o peso dessas instituições é praticamente irrisório.
Colocando os números na balança
Para fins de comparação, hoje o nosso Sistema Financeiro Nacional movimenta em torno de R$ 14,8 trilhões.
Veja o tamanho das instituições liquidadas recentemente:
- Banco Master: Avaliado em R$ 83 bilhões.
- Banco Will: R$ 7 bilhões.
- Banco Voiter: R$ 7,5 bilhões.
Somados, o patrimônio desses três bancos equivalia a apenas 0,66% do nosso sistema. Quando olhamos por esse ângulo, percebemos que a “febre” que assusta o investidor iniciante é, no fim das contas, apenas uma febre passageira e localizada.
Conclusão: Fraude vs. Estrutura
Um ponto crucial que não pode ser ignorado: todas essas três instituições já pertenceram ao mesmo grupo econômico. Portanto, a liquidação atual tem uma relação muito mais direta com a quebra estrutural das fraudes cometidas por esse grupo específico do que com uma possível falha ou risco sistêmico na estrutura do nosso SFN. O sistema brasileiro continua sendo um dos mais sólidos e bem regulados do mundo.

